O princípio do poema é o mesmo da poesia.

05:05

Diga-me, poeta, quem nasceu
primeiro o amor ou a poesia?
E na falta do primeiro de que
outra forma, então, ela seria?

E se a ideia precede o sonhador
quem, de fato, teria assinado a
autoria do amor? Foste tu Poeta?

Apenas os que sentem, há pena
dos que mentem e fingem que não
sentem a dor que o poema recria.

As lágrimas que selam tua tristeza,
Poeta, é acalanto dos que o leem.
E o amor jurado para sempre é
a reciprocidade dos versos teus.

Dê água aos que tem sede, deem
poemas aos que amam e aos que
sofrem, pois os que amam e os que
sofrem também tem sede de vida.

Autor: Augusto Felipe de Gouvêa e Silva.

Poéticas de incomunicabilidade.

20:07

"A maioria dos acontecimentos é indizível, realiza-se em um espaço de tempo que nunca uma palavra penetrou, e mais indizíveis são as obras de arte, existências misteriosas, cuja vida perdura ao lado da nossa, que passa". (Rilke, Rainer Maria).

A língua é substrato da ficção. Foi criada para amplificar a comunicação, pois esta precede a palavra escrita e falada. Talvez, tenhas nascido num tempo em que dito recurso gráfico e fonético já existia e, por meio dele aprendera a absorver minhas palavras. 

Idêntico ao passado deste escritor também houve um tempo em que ler ou pronunciar letras do alfabeto fora-lhe custoso e associar lhes um significado, um feito inédito. 

Observe com muita atenção, pois, a imagem de um homem em frente a um quadro de arte expressionista, cubista, simbolista ou abstrata, nada difere da imagem de um bebê em frente a primeira letra do alfabeto. Não se trata de gostar do que se vê. Trata-se de compreender o que o artista houvera quisto. 

O tempo e a experiência o (a) fizera esquecer do óbvio. Letras são sinais gráficos que nada significam. Tão abstratas quanto o são as obras de arte e, ambas, são empregadas como recursos de comunicação, por si, desprovidos sentido.

Portanto, quando estiver em frente a uma obra de arte abstrata, não ouse perguntar a ela o que significa, buscando associá-la a imagens de coisas, por tua (precária)mente (re)conhecidas. Não procure saber com o quê ela se parece. Acaso assim o faça não encontrará resposta alguma.
 
"A arte não reproduz o visível; ela torna visível". (Klee, Paul)

Abdique-se, nobre cientista, da pressuposta sapiência que lhe aflige. É que tens o hábito de investigar tudo que está a sua volta, mas é um(a) pobre caçador(a) si mesmo(a). Quer buscar o sentido da (tua) obra? Busque o sentido que ela lhe causa. Encarrem-se de fronte. Sinta a inquietação tomar lhe os pensamentos e desafiá-lo (a) às abissais limitações humanas. Permita que sua pequenez traga à tona a ignorância na flagrante incompreensão de si mesmo(a). E, ao invés de reduzir-te, amplie as infinitas possibilidade de representação do mundo. Aceite que todo quadro abstrato é um feito inédito que acrescenta um vocábulo ao indizível vácuo do artista.

"A arte existe porque a vida não basta" (Ferreira Gullar) e, acrescento porque a comunicação é o mais essencial e o mais difícil artifício que há no mundo.

Poetas, músicos, bailarinos (as), escultores, pintores, artesão...ARTISTAS, são pessoas que capturam as suas íntimas percepções de mundo e as exaltam ao extraordinário para legar ao mundo um acréscimo do que possa advir do melhor de si mesmos (as).

Disto, lhes faço um convite. Artistas subam no palco com toda coragem que puderem vestir. Finjam que o que estiverem prestes a dizer nunca houvera sido dito; finjam que o que estiverem na iminência de fazer jamais tivera sido feito por quem que que seja. Prometo-lhes, ao ouvir o som de aplausos, esta absoluta certeza do quanto houveram sido extraordinários, tendo nos propiciado ouvir e ver o que, de fato, não tivera sido contemplado antes da tua existência.

Daqui por diante, me prometa: adicione a sua interpretação às obras de arte abstratas e antes de criticá-las, critique a si mesmo (a).

Autor: Augusto Felipe de Gouvêa e Silva.

Meu cais

06:38

Há dentro de mim a saudade
precoce do por vir. O apego
resoluto a pessoas que amo e
amizades que estão por nascer.

Não é fácil lidar com despedidas...
Alguns sonhos simplesmente cruzam
o Pacífico e deságuam nas lágrimas
de quem permaneceu no porto.

Mas, veja, há graça ao notar que o
que foi nunca partiu. Se manteve
ali, dentro de ti, no mesmo lugar
onde sempre estivera guardado.

Meu porto está seguro, a estiva
de minh'alma, naufragado por tua
lembrança, querida, e ancorado no
cais de minha precoce saudade tua.

Autor: Augusto Felipe de Gouvêa e Silva.

O amor liberta?

10:10

O amor fica porque é livre. E
porque é livre um dia parte. Se
perde a liberdade pelo caminho
volta "só" para buscar a saudade...

Autor: Augusto Felipe de Gouvêa e Silva.

Um conto CWB

21:09

Você já se perguntou porque a sigla "CWB" é utilizada nos aeroportos para identificar a cidade de Curitiba? O Poeta Curitibano foi investigar essa história.

A Associação Internacional de Transportes Aéreos criou por meio da resolução n.º 763 códigos para designar todos os aeroportos do mundo, os quais são administrados pela organização de Montreal, no Canadá.

As regras definem que os códigos devem ser compostos pelas três primeiras letras da cidade onde houver um aeroporto ou pelas três primeiras letras que compuserem o nome do aeroporto.

Entenderam? Apenas três letras para designar todos os aeroportos do mundo? Isso tinha tudo para dar errado. Sabem quantos aeroportos existem no mundo? 43.794 e esses dados são de 2012.

Matemágicos, eu lhes pergunto: qual é o resultado da analise combinatória de um arranjo formado por um conjunto de 26 letras (A,B,C,D...), constituído por 3 elementos aleatórios? Não se esqueçam de excluir os anagramas. A conta fecha?

Pelo primeiro critério, o código aeroportuário de Curitiba deveria ser "CUR", mas esta sigla já estava em uso e tal qual a voz oculta de um narrador alguém sugeriu - é só saltar a terceira letra. Mais um problema. As siglas CUI, CUT, CUB, CUA, CRB, CIA, CIB, CTB e CTA, também estavam em uso.

O que fazer agora? Partimos para o segundo critério. Utilizaremos as primeiras letras que compõe o nome do aeroporto de Curitiba (que aliás pertence a Curitiba, mas é sediado no município de São José dos Pinhais). Outra confusão por aqui. Ocorre, porém, que o nome "Afonso Pena" é um substantivo composto e a resolução n. 763 não fala absolutamente nada sobre nomes compostos.

Aí, eis que de repente...vem a tona a manobra política dos lunáticos, pois quem está próximo do céu vive no mundo da lua. Porque não pegamos o "C" e o "B" e colocamos o "W" no meio. Poeta qual é a lógica disso? Ah! Por favor, não me envergonhem amantes da língua portuguesa. Qual fonema mais se aproxima da letra "u"? Isso mesmo o "dabliu", assim surgiu o "CWB". Não seria mais fácil mudar a resolução? Para quê?Sejam práticos, leitores. Para mudar a resolução é preciso contratar um bom advogado. Quem vai pagar os honorários? Ponham o "W" no meio e fim de papo.

O Poeta Curitibano, por favor, me diz que você inventou toda essa história? Não inventei! Confiram a fonte por si mesmos (http://airportcod.es/).

Autor: Augusto Felipe de Gouvêa e Silva.

Ser Curitibano

07:52

Ser Curitibano é acordar todas as manhãs
Em um País diferente...
É não precisar trocar nas prateleiras
 As roupas de verão
Pelas roupas de inverno
Ou meia estação!
É usar botas em pleno verão!
Apreciar a diversidade culinária,
Cultural, estrutural,
E a beleza da miscigenação!
Aprender com o diferente
Na terra do leite quente!
Viver a história da cidade
Na arte, na construção,
Nos pontos turísticos,
Na agricultura e na educação!
É ter um “poeta curitibano”
Pra defender a população
Buscando na história da cidade
Resposta pra confusão
De que Curitibano é povo é fechado
Sem fazer alusão
Aos fatos contados
Sem buscar explicação!

Autora: Ana Lúcia Gouvêa da Silva.
Sigam o blog:  poemasanalu.blogspot.com.br.

A verdade não dita sobre os curitibanos.

16:26

Será verdade que o curitibano não conversa com ninguém? O Poeta Curitibano resolveu investigar e escrever sobre o assunto.

1. CERTIFIQUE-SE DE QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO DE UM CURITIBANO.

Conforme pesquisa encomendada pelo jornal Gazeta do Povo 55% dos moradores de Curitiba não nasceram na capital paranaense. Aliás, muitos só estão aqui de passagem. Curitiba tem a oitava maior população do Brasil e recebe entre 3,45 milhões e 3,72 milhões de visitantes por ano. Ou seja, o fluxo de turistas (não curitibanos) pela capital é altíssimo.

Portanto, analise bem a situação para então poder dizer ou repetir o velho jargão – os curitibanos são assim calados, antipáticos, etc.

2. ANTES DE CRITICAR, COLOQUE-SE NO LUGAR DOS CURITIBANOS.

Você já ouviu falar do chamado transtorno depressivo maior com padrão sazonal? Trata-se um tipo de depressão relacionada ao tempo. Porque estamos falando disso? Continue lendo a matéria e irá entender.

Os seres humanos são homeotérmicos, isto é, possuem temperatura corporal entre 36°C e 37ºC, ficando desconfortáveis com temperaturas muito abaixo ou muito acima disso. Até aqui nenhuma novidade.

As reações do corpo às mudanças climáticas são explicadas cientificamente da seguinte maneira:  em dias de sol o nosso corpo libera serotonina, neurotransmissor responsável pelo controle da ansiedade e BOM HUMOR, mas, em dias nublados, liberamos melatonina, o hormônio do sono, que nos deixa sonolentos e INDISPOSTOS.  Será que em Curitiba nós liberamos mais melatonina ou mais serotonina? #PenseNisso.

Do ponto de vista da psicanálise, Freud explica que nós temos uma instância no psiquismo chamada Ômega a qual tem por finalidade, dentre outras coisas, decodificar as sensações de prazer/desprazer (leia-se no contexto “sensação de frio e de calor’’) decorrentes do aumento ou diminuição da energia psíquica (leia-se no contexto “bom e mal humor”). Noutras palavras: nem é tanto o frio nem é tanto o calor que nos fazem sofrer, mas sim, a variação destes dois elementos num curto lapso temporal.

Será que a mudança brusca e constante de temperatura tem algo a ver com Curitiba, a capital das quatro estações? Absolutamente sim.

Agora, imagine acordar quase todos os dias, abrir a janela e ver o céu tipicamente acinzentado? Isto parece animador para você? Terá diante do fato uma vontade repentina de sair de casa, cumprimentar a todos os desconhecidos que avistar na rua e distribuir abraços?

Sabia que muitos de nossos habitantes, Curitibanos ou não, já deixaram a Cidade apenas por causa do clima? Procurem as estatísticas e acima de tudo, vistam os nossos sapatos antes de sair dizendo por aí que somos antipáticos, metidos ou mal-humorados.

3. CONHEÇA A IDENTIDADE DOS CURITIBANOS.

Curitiba tem uma relação intrínseca com o que irei chamar aqui de “crise de identidade nacional” – para entendermos melhor esta questão farei algumas breves referências a história do Brasil. Vamos lá?

Em 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, foi realizada a Semana de Arte Moderna, marco inaugural do modernismo no Brasil. O escopo deste movimento artístico-literário era refletir sobre a identidade nacional – Afinal, quem são os brasilianos?

Percebam como é fácil descrever o povo alemão –olhos azuis, cabelos loiros. Vejamos então, os povos asiáticos – olhos semicerrados, cabelos lisos. O mesmo, no entanto, não se pode dizer dos brasilianos. Tantos imigrantes cá vieram e cá permaneceram. Tantas culturas distintas dividem espaço entre nós. Falamos oficialmente o português e nem sequer a pronúncia de nossa língua mãe é uniforme – nós temos sotaques.

O que isto tem a ver com Curitiba? Tudo! A capital já recebeu imigrantes alemães, italianos, poloneses, ucranianos e japoneses. Um detalhe importante: esses povos não falam a mesma língua. Não os culpem, portanto, estrangeiros, pela habitual falta de comunicação. Se não sabem falar “mandarim” não dirão ao seu vizinho um “bom dia”.

Aos Curitibanos natos que acaso não tenham feito esta investigação, em tempos escolares, lhes faço uma proposta. Perguntem aos seus avós de onde é que vocês descenderam e a cada um de vocês será dada a referência de um país diferente.

Vocês sabem como se define a raça europeia? Caucasiana. Sabem como se define a raça curitibana? Caucasiana. Sabem o que significa a palavra caucasiana? Tipo físico geral. Ou seja, temos um pouco disso e um pouco daquilo.

É justamente com base nessa ideia que os personagens da literatura modernista “Jeca tatu” e “Macunaíma” foram criados. Muitos, ainda os leem de forma errônea. Nós somos brasilianos. Não somos preguiçosos! Não somos desengonçados! Não somos malandros! E também somos santos. Somos um pouco disso e um pouco daquilo. Percebam que até no comportamento nós somos caucasianos. Esta é a nossa identidade!

Dito isto eu lhes pergunto: você já ouviu falar sobre o grande escândalo provocado por um conflito ético-racial em Curitiba? Sabe porque não ouviu? Porque nós nos damos bem como os estrangeiros. Respeitamos o outro, seja ele curitibano ou não. Se há exceções, meus caros, é porque sempre há exceções.

4. REFLITA E TIRE AS SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES.

Falar muito ou falar muito pouco é completamente diferente de não falar nada ou de não falar com ninguém. Simpatia de mais pode ser falsidade. Simpatia de menos pode ser apenas timidez, já pensou nisso? Timidez não é defeito. Timidez não é arrogância.

Na dúvida, ao invés de dizer que os curitibanos não conversam com ninguém, diga que os Curitibanos são tímidos, quiçá românticos, preferem conhecer o outro e dar-lhes a mesma oportunidade de ser conhecido, pois amizades e amores são decisões recíprocas e raros são os que os tenham encontrado.

Se existem curitibanos mal-humorados, antipáticos e não comunicativos? Com certeza! Tanto quanto existem pessoas de mesmas características em outras partes do Brasil e do mundo. É seu dever saber lidar com isso, pois ninguém é igual ao outro.

E aí gostou da matéria? Quer saber mais sobre Curitiba? Acompanhem as próximas revelações do Poeta Curitibano.


Autor: Augusto Felipe de Gouvêa e Silva.

Like on Facebook

Like on Instagram